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Os Animais do Futuro

02/03/2010




Cães e gatos de todo o mundo, preparem-se: a revolução começou! Vocês serão clonados, terão próteses biônicas, ganharão novas raças, falarão conosco e vão usar até celular

por Tiago Cordeiro



Convivemos com os cachorros há pelo menos 11 mil anos. Os gatos miam entre nós faz uns 6 mil. Mas foi só nas últimas décadas que elevamos nossos companheiros a um nível inédito de integração. Cemitérios de pets, colônias de férias, linhas de roupas, comida especial, filmes estrelados por esquilos, baleias, porquinhos e, claro, cães e gatos. Mas, acima de tudo, aposto que você já viu ou ouviu donos que chamam seus mascotes de filho.

O que você não viu, mas verá já nesta década, é a revolução no jeito de lidar e cuidar dos animais de estimação. No Brasil, existem 20 milhões de cães domésticos. Os gatos são 16 milhões. A paixão dos donos por essa multidão de peludos instigou a ciência. E ela passou a estudar a fundo o físico e o comportamento dos melhores amigos do homem. E as descobertas são impressionantes.

Essa moda animal também estimulou a indústria tecnológica, que vem descobrindo um novo e gigantesco filão. Para o futuro próximo, ou seja, nos anos em que você estará vivinho para acompanhar e aproveitar, coisa de, no máximo, 50 anos, os animais que circulam lado a lado conosco vão mudar.

Os bichos do futuro poderão ser clonados, terão características inéditas por causa da mistura de raças, serão mais dóceis, ganharão membros biônicos ou acabarão substituídos por robôs. Ah, e acredite: eles vão usar até celular!

AIDIN 2 | O protótipo criado na Coreia do Sul imita os movimentos de um quadrúpede. Para os cientistas do projeto, a próxima etapa da robótica está no funcionamento dos organismos. A evolução dessa técnica resultará nos primeiros animais artificiais

VIVOS PARA SEMPRE>>> Quando a ovelha Dolly foi clonada, em 1996, possibilidades infinitas foram abertas para o mundo animal. Demorou pouco para que os cães e gatos entrassem na roda. Em 2003, a empresa californiana Genetic Savings and Clone passou a comercializar gatos clonados. Pelo preço de US$ 50 mil, é possível fazer uma cópia geneticamente idêntica do bichano. Para o animal que só vai ser copiado quando morrer, também pode-se preservar tecidos por US$ 1.050 ao ano. E em 2005, na Coreia do Sul, nasceu Snoopy. O totó da raça afghan hound é o primeiro cão clonado na história.

Mas a tecnologia para a duplicação de gatos e cães ainda é incipiente. Antes de chegar a Snoopy, os cientistas da Universidade Nacional da Coreia testaram 1.095 embriões em 123 diferentes cadelas (até que um cachorro saudável nascesse, ocorreram apenas quatro gestações, sendo que uma acabou em aborto e três produziram cachorrinhos com graves problemas respiratórios).

No caso de cães, a clonagem ainda é mais complicada do que para gatos — é que o ciclo das cachorras é difícil de prever e controlar. O ponto é que, nos próximos dez anos, a técnica estará bem mais avançada, mais acessível e mais barata (nos Estados Unidos, o preço para criar um xerox genético do mascote deverá cair para US$ 10 mil para gatos e US$ 20 mil para cães).

Quer dizer que o bichinho amado vai viver para sempre, desde que o dono tenha dinheiro para bancar clonagens infinitas? Mais ou menos. A questão é: um animal que compartilha os mesmos genes e nasce no mesmo ambiente não se comporta necessariamente da mesma forma que o anterior. “Ao contrário do senso comum, um animal clonado não é a reencarnação do original”, diz Marc Bekoff, professor da Universidade de Colorado e especialista em comportamento animal.

Mesmo assim, Julie, a americana que gastou US$ 50 mil para se tornar a dona do primeiro gato clonado do planeta, garante que Little Nick copiado é idêntico ao Little Nick original. A mulher, que teve seu sobrenome mantido em sigilo diante dos protestos de entidades contra o uso de clonagem em animais, encomendou o serviço da RNL Bio, um laboratório de biotecnologia da Coreia do Sul, logo após a morte de seu bicho, que tinha 17 anos de idade.

Para os cães, o processo ainda carece de ajustes. Mas existe uma solução à vista: cães clonados a partir de células do tecido adiposo. Os primeiros testes sugerem que o índice de sucesso pode dobrar de 10% para 20% das tentativas. Usando essa técnica, a RNL Bio anunciou, em janeiro deste ano, que vai clonar em breve dois beagles.

Matéria na íntegra para assinantes - Revista Galileu de Março/2010 edição -  2241

Fonte : Galileu Notícias < Voltar
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04/07/2010 - 21:33:03